sábado, 27 de abril de 2013

Quais as questões?! Não ser... ou ser... quem sabe!


       

      Tanto tempo sem escrever... não contenho meus instintos. Sou este mesmo, repleto de subjetivismos e não contenho em mim mesmo os sonhos que busco... Mesmo não imortalizando palavras, imortalizo-me a cada dia mais e mais, naquilo que sou, em mim... ou sem mim, isso pouco importa!
     
      Escrevendo, apagando...
     
     Traçando o traçado tranquilo de truques tão transitáveis na tela tímida que a tinta teima em transpor tais textos.
    
     Eu ressignifico-me, repagino-me, reencarno tantas vezes numa única vida... eu não morro, e não sou imortal... eu vivo e não sei viver, eu não quero saber de mim agora (que o agora sempre morre!), quero aprender de mim agora... não esse agora, mas este agora... nas variações de um agora sempre novo!
    
     E quem quiser saber quem sou... sou quem sabe, querer quem seja!

(Ronaldo Aragão) - 20/01/2011

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Astronauta (Cosmos Surreal)



Sozinho subi à luz do firmamento
Ao contemplar paixões, em meu cansaço
Toquei lua e estrelas num tormento,
Vagando a constelar em meu espaço

Confesso que o céu chorou aflito,
Os anjos me cercavam soluçantes:
No cosmos a expansão de um vasto grito,
Na terra, almas que matam seus amantes

Eis que caem noites sem luares,
Pois vi morrer a lua, tão sombria
E a pupila cega em vãs olhares
Já na terra a densa noite, negra e fria

Procuro minha sombra, já perdido,
Num rubro espaço por fim abandonado
Não sinto ser, talvez já tenha sido
Um astronauta a vagar em meu passado

Tantas lágrimas, das quais me vejo flutuar
Por entre o cosmos não consigo entendê-las,
Talvez se escondam atrás de um luar
Ou talvez brilhem na imensidão, como estrelas.

(RONALDO ARAGÃO) - Em: 15/07/2003

Às Duas Margens...



Sentei às margens do Capibaribe... ao som do vento e da brisa, e amadurecido em pensamentos guardados, reinventei meus sonhos e decepcionei meus medos...
Às margens de minha vida, retratei cada gota que escorreu nos meus olhos... o pranto estagnado vai dando lugar ao sorriso tímido que se ergue.
Ali, sozinho... e agora aqui deste outro lado ainda sozinho... escrevo! Como há tanto não fazia mais... Agora sentado às margens do rio, vejo meu Recife reluzir tons claros, ofuscando este rabisco meu, que irá servir de esboço para meu verso passado a limpo...
E eu reviro letras, escondo erros, apago versos, reescrevo-me... resignifico-me, incontenho-me, encontro-me... E rasgo tudo mais uma vez no prazer do novo que se faz agora. Às mergens do meu rio... eu sentei, e não chorei!

(RONALDO ARAGÃO) - 09/11/2010

Andarilho


   
    Tentendo buscar uma explicação de minha vida, percebi que minha busca se faz ingenuamente singela em tudo que tento explicar. Os dias que chorei com ombros confortáveis, as vezes que meus caminhos foram conduzidos em procissão de pés doídos, das horas amargas onde bocas degustaram meus instantes intragáveis...
... Hoje ainda não descobri o motivo de cada infortúnio, e se os sei... irei calar ao balbuciar do primeiro choro, e conduzir o meu silêncio no sinismo de minha vergonha. Aqueles ombros se foram, presenteando-me apenas a vaga lembrança, os pés que seguiam meus passos, trilharam rumos perdidos e as bocas que brindaram minhas lágrimas, caíram na embriaguez do orgulho!
     Nunca tive o explendor do entendimento do que me foi vivido. Apenas aprendi que não posso presumir expectativas, e hoje nada mais me vislumbra o ego. E meu estado solitário vai seguindo auroras e adormecendo em crepúsculos... na certeza que tudo o que sinto nas terras desoladas da alma que me faz, são meros dias de um  andarilho viajante, que segue sem rumo na incerteza que lhe foi dada...

(RONALDO ARAGÃO) - 21/03/2011

sábado, 4 de agosto de 2012

Seria APENAS professor...

     
      Desejo a cada aluno meu a plenitude de suas vitórias. E além de desejar, quero poder fazer parte do vislumbre que cada qual de vocês alcancem na jornada de suas vidas...
     
     E que a cada dia que compartilhemos nossas experiências (seja dentro ou fora de sala de aula), saibamos multiplicar de forma humilde e singela o que aprendemos para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade do saber.
     
     Desejo que meu conhecimento, mesmo sendo limitado, possa ser apreciado por cada um de vocês, de forma que novos questionamentos aconteçam, me incentivando a buscar mais, saber mais, aprender mais... Para que eu me sinta vivo e revigorado após noites em claro preparando aulas e adicionando, se não o meu melhor, com certeza o melhor que posso fazer!
     
     Que hajam conflitos em sala de aula, e que na elucidação de tais conflitos os laços se estreitem, e que nossa interação seja além de um papel de professor e aluno, mas sim de uma simbióse entre o saber e a admiração (em via de mão dupla).
     
     Que eu possa olhar nos olhos de cada um de vocês meus alunos, e dizer o quanto me sinto digno e honrado em poder fazer parte do crescimento intelectual de vocês, pois saibam vocês que é dessa forma que eu também cresço... E me sinto orgulhoso por sermos parceiros, e reconfortado ao repousar em meu travesseiro, certo de que a MINHA vida não está passando neste mundo vagamente.
     
     Agradeço a cada um de vocês meus alunos por cada lembrança que cultivam de mim, por cada sorriso, cada piada em sala de aula, cada trabalho com meu nome errado, cada texto copiado de internet... E principalmente, quero agradecer acima de tudo pelo valor que vocês fazem com que eu sinta de mim mesmo, pois sem vocês eu seria APENAS um professor.

Obrigado, muito obrigado!!!

Estimadamente,

Professor Ronaldo Aragão.


                                                                                                                                  04/08/2012