sábado, 2 de fevereiro de 2013

Às Duas Margens...



Sentei às margens do Capibaribe... ao som do vento e da brisa, e amadurecido em pensamentos guardados, reinventei meus sonhos e decepcionei meus medos...
Às margens de minha vida, retratei cada gota que escorreu nos meus olhos... o pranto estagnado vai dando lugar ao sorriso tímido que se ergue.
Ali, sozinho... e agora aqui deste outro lado ainda sozinho... escrevo! Como há tanto não fazia mais... Agora sentado às margens do rio, vejo meu Recife reluzir tons claros, ofuscando este rabisco meu, que irá servir de esboço para meu verso passado a limpo...
E eu reviro letras, escondo erros, apago versos, reescrevo-me... resignifico-me, incontenho-me, encontro-me... E rasgo tudo mais uma vez no prazer do novo que se faz agora. Às mergens do meu rio... eu sentei, e não chorei!

(RONALDO ARAGÃO) - 09/11/2010

Andarilho


   
    Tentendo buscar uma explicação de minha vida, percebi que minha busca se faz ingenuamente singela em tudo que tento explicar. Os dias que chorei com ombros confortáveis, as vezes que meus caminhos foram conduzidos em procissão de pés doídos, das horas amargas onde bocas degustaram meus instantes intragáveis...
... Hoje ainda não descobri o motivo de cada infortúnio, e se os sei... irei calar ao balbuciar do primeiro choro, e conduzir o meu silêncio no sinismo de minha vergonha. Aqueles ombros se foram, presenteando-me apenas a vaga lembrança, os pés que seguiam meus passos, trilharam rumos perdidos e as bocas que brindaram minhas lágrimas, caíram na embriaguez do orgulho!
     Nunca tive o explendor do entendimento do que me foi vivido. Apenas aprendi que não posso presumir expectativas, e hoje nada mais me vislumbra o ego. E meu estado solitário vai seguindo auroras e adormecendo em crepúsculos... na certeza que tudo o que sinto nas terras desoladas da alma que me faz, são meros dias de um  andarilho viajante, que segue sem rumo na incerteza que lhe foi dada...

(RONALDO ARAGÃO) - 21/03/2011

sábado, 4 de agosto de 2012

Seria APENAS professor...

     
      Desejo a cada aluno meu a plenitude de suas vitórias. E além de desejar, quero poder fazer parte do vislumbre que cada qual de vocês alcancem na jornada de suas vidas...
     
     E que a cada dia que compartilhemos nossas experiências (seja dentro ou fora de sala de aula), saibamos multiplicar de forma humilde e singela o que aprendemos para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade do saber.
     
     Desejo que meu conhecimento, mesmo sendo limitado, possa ser apreciado por cada um de vocês, de forma que novos questionamentos aconteçam, me incentivando a buscar mais, saber mais, aprender mais... Para que eu me sinta vivo e revigorado após noites em claro preparando aulas e adicionando, se não o meu melhor, com certeza o melhor que posso fazer!
     
     Que hajam conflitos em sala de aula, e que na elucidação de tais conflitos os laços se estreitem, e que nossa interação seja além de um papel de professor e aluno, mas sim de uma simbióse entre o saber e a admiração (em via de mão dupla).
     
     Que eu possa olhar nos olhos de cada um de vocês meus alunos, e dizer o quanto me sinto digno e honrado em poder fazer parte do crescimento intelectual de vocês, pois saibam vocês que é dessa forma que eu também cresço... E me sinto orgulhoso por sermos parceiros, e reconfortado ao repousar em meu travesseiro, certo de que a MINHA vida não está passando neste mundo vagamente.
     
     Agradeço a cada um de vocês meus alunos por cada lembrança que cultivam de mim, por cada sorriso, cada piada em sala de aula, cada trabalho com meu nome errado, cada texto copiado de internet... E principalmente, quero agradecer acima de tudo pelo valor que vocês fazem com que eu sinta de mim mesmo, pois sem vocês eu seria APENAS um professor.

Obrigado, muito obrigado!!!

Estimadamente,

Professor Ronaldo Aragão.


                                                                                                                                  04/08/2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

Não És Humana...

    

    Não, você não é a pessoa certa da minha vida... Você não é a pessoa mais importante, nem muito menos és a pessoa que entrou na minha vida pra trazer minha felicidade, e quero que além de tudo isso você saiba que nunca serás a pessoa que irei viver ao lado com a mesma paixão alucinada da primeira vez que a vi...
 
    NÃO, NÃO ÉS PESSOA ALGUMA... Pois és ANJO, e como ANJO não deves ter a atribuição de meros mortais como eu. NÃO ÉS PESSOA (meu Deus, não podes ser humano) és a segregação divina indecifrável da palavra vida, és o além vida, és a PRESENTIFICAÇÃO da palavra que começa em ti e transcende ao real e ao palpável de minhas limitações (efêmeras e humanas). 

    Tu NÃO és pessoa, és o que há de ser e sempre foi, és além de divinal essência... NÃO ÉS PESSOA ALGUMA PRA MIM, pois angelicalmente és pra mim O AMOR!
                                                                                  (Ronaldo Aragão) 11/07/2012

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Idas e Vindas...



    Pessoas passaram em minha vida, e foram poucas as que conseguiram ficar... Mesmo aquelas que se foram, e mesmo assim estão tão impregnadas em mim como cheiro de manhã orvalhada, mesmo essas pessoas, por mais que nunca regressem estarão em mim, vivas, lúcidas... presentes (daquela ausência que sabemos que mesmo distante ainda nos toca).
     
    Outras pessoas que passaram em minha vida ainda estão vivas... Mas eu faço questão de a cada dia esquecer-me mais e mais... Estas pessoas estão vivas, porém mortas dentro de mim, como noite de chuva fria e solitária. Mesmo que exista, não quero tê-las comigo. Estão mortas, sepultadas... passadas (daquela presença que sabemos que mesmo perto não nos permitimos tocar).
     
    Muitas pessoas em idas e vindas fizeram parte de mim... de minhas felicidades ou de minhas angústias. Hoje, vejo que pouco importa o que eu fiz ou deixei de fazer, se para quem passou ou para quem ficou nada mais faz sentido... é porque nada valeu a pena! Muitas pessoas, muitas mesmo... pouco de mim restou. Poucas pessoas, poucas mesmo... muito de mim nada possuem.

RONALDO ARAGÃO - 02/05/2011